Série Pensamentos Junguianos

08 Abr 2026 1 min de leitura
Série Pensamentos Junguianos

Ao despir a Páscoa de sua moldura puramente histórico-religiosa, revelamos seu núcleo arquetípico: um fenômeno da psique que rege os ciclos de transformação e fertilidade interior. Em diversas culturas, o equinócio de primavera sempre convocou ritos de morte e renascimento — dos Mistérios de Elêusis aos cultos de Átis, materializados nos símbolos do ovo e da lebre.
Sob a ótica junguiana, essa iconografia transcende o folclore; são projeções do próprio processo de individuação. Esses mitos nos recordam que, para a emergência do novo — seja um afeto, uma ideia ou um sentido vital —, é imperativo o sacrifício do antigo. Tal como Perséfone que descende ao Hades, a consciência deve mergulhar no inconsciente para, enfim, retornar fecundada pelas profundezas. A fertilidade, aqui, não é apenas biológica, mas a capacidade da psique de gestar uma nova versão de si mesma após o confronto com a própria escuridão.

Para Jung, esse ciclo exterior corresponde a um movimento interior: há um “inverno psíquico” — momentos de depressão, esvaziamento, retração — que antecede uma nova organização psíquica. Celebrar o renascimento na natureza é, psicologicamente, dar suporte simbólico à capacidade da psique de se regenerar.

Na base dos mitos de fertilidade está o arquétipo da hieros gamos (casamento sagrado) entre o masculino e o feminino, entre céu e terra. Jung via nessa união o princípio de toda criatividade psíquica.

Leia também

Imagem de Live Núcleo de Família IJRS - 14/04/2026

Live Núcleo de Família IJRS - 14/04/2026

08 de abril de 2026

Imagem de Agenda de Abril 2026

Agenda de Abril 2026

08 de abril de 2026

Imagem de AGENDA MARÇO 2026

AGENDA MARÇO 2026

03 de março de 2026

Este site usa cookies para proporcionar uma melhor experiência. Ao prosseguir, você concorda com nossas Políticas de Cookies e de Privacidade. Saiba mais