Na linguagem da psicologia junguiana, a Revolta Farroupilha pode ser vista como a expressão de um anseio profundo de pertencimento.
O povo gaúcho, na antiga província de São Pedro, sentia-se estrangeiro dentro do próprio Império. Explorado em seus recursos, negligenciado em suas necessidades e distante do centro que decidia por ele. Esse mal-estar coletivo não era apenas político ou econômico, era simbólico. Representava a alma que não se reconhece no espelho do pai distante, o governo imperial e, por isso, ergue-se em busca de um lugar onde possa ver-se refletida. A proclamação da República Rio-Grandense encarna, nesse sentido, o impulso do Self coletivo em afirmar, que pertencemos a nós mesmos.
Somos parte de uma história maior, mas precisamos ser reconhecidos em nossa singularidade. A luta de 1835 a 1845 pode ser lida como o drama interior da psique, de um lado, a necessidade de vínculos e ordem, arquétipo do pai do Império, de outro, o clamor pela autonomia e pelo reconhecimento, arquétipo do filho, do herói. No fundo, o que estava em jogo era o direito de existir com dignidade e identidade, sem perder o elo com o todo. Pois, como ensina Jung, não há individuação sem pertencimento, só é possível ser plenamente si mesmo quando também se reconhece a própria raiz na comunidade e na terra que o nutre.
Assim, a Revolta Farroupilha não é apenas memória de batalhas, é a lembrança arquetípica de um povo que ousou dizer que pertencer é ser reconhecido, e ser reconhecido é poder florescer como alma coletiva.
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